Wednesday, November 08, 2006
Benjamin
Professor Benjamin, uma herança que recebi da minha mãe, seu professor de matemática na época do colégio. Eu e minhas encrencas com a lógica me deram a honrosa oportunidade de conviver com este ser tão querido, em aulas particulares. Eu ia à casa dele às tardes, consigo sentir o cheiro das folhas de rascunho em que ele elaborava exercícios. Ele me recebia sempre sorrindo e contando as novidades de uma vida que ele preenchia sabiamente. Ele era gentil, sorridente, alto, magro; tinha um porte elegantíssimo.
A lógica do universo era obvia para o dono da mente brilhante. Não houve obstáculos que pudessem fazê-lo parar. Ele enxergava a cada instante a oportunidade de ser sucesso, de atuar com a astúcia que lhe era peculiar. Como bom mestre, sempre querendo aprender fazia aulas de desenho em carvão (ele me deu a gravura que desenhou um cavalo – belíssima), aulas de hebraico na PUC (inusitado), aulas de dança de salão.
Hoje soube da sua passagem. Senti um vazio que logo foi preenchido com as lembranças. Me fez sentir parte dele que permanece aqui, humildemente falando, neste mundo que ele me fez tentar compreender a facilidade de fazer tudo possível, até mesmo uma solução aritmética.
Meu queridíssimo mestre, é doloroso saber que não o mais encontrarei, sem querer, num restaurante chinês, num fim-de-semana qualquer. É penoso! Mas vou enxugar as lágrimas imediatamente, e te guardar comigo e exercitar o entusiasmo e a gana de ser cada vez melhor. Hoje, não mais adolescente, agradeço a dificuldade com os números. Ela me fez passar tardes de aprendizado, não só em matemática, mas também em viver.
Parece um sinal, da minha janela, neste dia cinza de outono, por entre os galhos sem folhas, vejo os pássaros de um lado para o outro, sem parar. E assim era o senhor, em movimento, buscando o melhor da vida.


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